Automação com “human-in-the-loop”
Na rubrica AI Files, a Knowledge Inside acompanha novidades que mexem, de forma prática, com produtividade e controlo operacional. Este mês, o foco vai para uma evolução simples, mas muito relevante para quem gere processos: agentes que automatizam passos repetitivos, mas que sabem parar para pedir validação humana quando o risco aumenta.
A Microsoft tem vindo a reforçar a ideia de “trabalho com agentes” em contexto empresarial, com mecanismos mais claros de governação e com melhorias na forma como os agentes são construídos e operados. Na atualização de novembro de 2025 do Copilot Studio, a Microsoft destacou capacidades orientadas a escala e controlo, incluindo a possibilidade de combinar fluxos autónomos com intervenção humana quando necessário.
O ponto mais operacional desta abordagem é o “request for information” (RFI), uma ação de human-in-the-loop (em preview) nos agent flows do Copilot Studio. Na prática, o workflow pode pausar num momento de decisão, enviar um pedido estruturado a revisores designados por email, recolher a resposta num formulário e retomar o processo usando esses dados como parâmetros. Isto não é apenas um “aprovar ou rejeitar”: o pedido pode recolher campos específicos (texto, datas, números, etc.), o que dá muito mais controlo em cenários reais.
Para gestão e operações, a implicação é direta: passa a ser possível reduzir tempo gasto em triagem, preparação e follow-up, sem transformar a automação num salto de fé. O trabalho repetitivo continua a ser automatizado, mas a decisão sensível fica explicitamente “na mão” de quem tem responsabilidade. Isto ajuda a ganhar eficiência onde há volume e repetição, ao mesmo tempo que reduz risco por “automatismos cegos” em compras, pagamentos, contratos, respostas a clientes ou comunicação interna.
Exemplo de prova de valor, com baixo risco: num processo de compras, o agente pode ler o pedido interno, normalizar a informação (itens, quantidades, centro de custo), preparar um rascunho de email ao fornecedor e, antes de enviar ou registar o pedido, disparar um RFI para o responsável validar dois ou três campos críticos (por exemplo, limite de despesa, fornecedor preferencial e urgência). A automação avança sozinha no que é mecânico e pede intervenção humana apenas no ponto certo.
A pergunta final para decisão é simples: em que processo recorrente a organização perde mais tempo a confirmar detalhes, a pedir esclarecimentos e a fazer follow-ups, sem acrescentar valor proporcional ao esforço?
