Copilot Cowork: uma tecnologia extraordinária ligada no taxímetro
Este artigo é publicado a 30 de junho, precisamente no último dia do período de graça do Copilot Cowork. Amanhã começa a faturação por consumo. Aproveitemos, portanto, estas últimas horas de produtividade gratuita. A partir da meia-noite, até o entusiasmo passa a consumir créditos.
O Copilot Cowork é, provavelmente, uma das tecnologias mais interessantes que a Microsoft adicionou ao Microsoft 365 nos últimos anos.
Foi desenvolvido em colaboração com a Anthropic e utiliza a tecnologia que está por trás do Claude Cowork, mas profundamente integrada no Microsoft 365. Em vez de trabalhar apenas com ficheiros locais no computador, executa as tarefas na cloud e consegue atuar sobre o Outlook, Teams, SharePoint, OneDrive e calendário.
Mais importante ainda, trabalha com os mesmos dados a que o utilizador já tem acesso. Pode consultar emails, documentos, reuniões, pessoas e ficheiros, sempre dentro das permissões e das políticas de segurança da organização. Não se limita a responder. Executa trabalho. E eu já o estava realmente a utilizar.
Uma simples tarefa custa-me 7,22 euros
Na Knowledge Inside temos um processo para criar propostas comerciais numa biblioteca SharePoint.
O Cowork faz este processo por mim: Localiza o cliente numa lista, valida o respetivo código da entidade, verifica quantas propostas já foram criadas e calcula o próximo número sequencial, copia o template correto, atribui o nome final e preenche os metadados obrigatórios.
Funciona bem e no final, tenho uma proposta pronta a preencher, corretamente classificada e guardada na biblioteca certa.
Preocupado com o futuro, fui aferir o custo desta tarefa: 722,1 Copilot Credits, aproximadamente 7,22 €.
Como achei o valor absurdo, decidi gastar algum tempo, e naturalmente mais alguns créditos, a otimizar o skill.
Reduzi o número de chamadas ao Microsoft Graph, que, explicado de forma simples, é a porta através da qual o Cowork consulta e altera informação no Microsoft 365. Cada pesquisa numa lista, leitura de ficheiros, consulta de emails ou atualização de dados pode implicar novas chamadas e mais consumo. Depois de várias alterações, consegui reduzir a mesma tarefa para cerca de 365 créditos, ou 3,65 €. Uma melhoria significativa.
“Só” tive de analisar o comportamento do agente, perceber, com a propria ajuda do cowork, onde estava a repetir consultas, reorganizar instruções e testar novamente. Para uma pessoa sem conhecimentos avançados tecnológicos, isto é impensável e contra produtivo.
Já fazia parte da minha rotina
A minha irritação não é apenas teórica. Eu já tinha criado vários skills e tarefas agendadas no Cowork.
Uma delas enviava-me todas as manhãs um email com a preparação do meu dia: prioridades, reuniões, emails que exigiam atenção, assuntos pendentes e algumas sugestões para organizar melhor o trabalho.
Começar o dia com tudo organizado reduz significativamente aquela sensação de que existem vinte assuntos urgentes e provavelmente nos estamos a esquecer do vigésimo primeiro. Tinha até algum conforto psicológico e boa disposição na escrita.
Este processo consumiu aproximadamente 8.500 créditos num mês. Ao preço de 0,01 € por crédito, são 85 € mensais apenas para receber um email matinal.
Recordemos que isto acontece para além do custo da licença Microsoft 365 Copilot.

Nem todos os agentes são iguais
Consigo compreender um modelo de consumo para agentes institucionais criados no Copilot Studio.
Um agente desenvolvido para um processo de negócio, publicado para um departamento ou utilizado por centenas de pessoas pode justificar faturação baseada em consumo.
Normalmente, esses agentes passam pelo crivo do IT, são desenhados para uma finalidade concreta e podem ser desenvolvidos ou otimizados por especialistas. Existe um processo, um responsável, um orçamento e uma análise do retorno.
O Cowork é diferente. O Cowork é apresentado como um agente de produtividade pessoal. É suposto ajudar cada utilizador a executar o seu trabalho diário, criar os seus próprios skills e automatizar pequenas tarefas. Não é realista esperar que cada colaborador saiba quando deve usar o Copilot Chat, um agente especializado ou o Cowork. Também não deveria ter de saber quantas chamadas ao Graph estão a ser realizadas ou como reduzir o consumo de um skill. A própria plataforma deveria fazer esse routing.
O utilizador deveria explicar o que pretende e o Copilot deveria escolher automaticamente a solução mais eficiente e económica. Quando uma tarefa pudesse ser resolvida no Chat, não deveria iniciar uma execução dispendiosa no Cowork.
Os tetos não resolvem o problema
A Microsoft permite configurar orçamentos, alertas e limites máximos de consumo. Isso impede uma fatura sem controlo, mas não impede dinheiro mal gasto.
Alguns utilizadores vão esgotar rapidamente o plafond porque não sabem otimizar as tarefas. Outros vão ficar frustrados quando atingirem o limite. Outros vão deixar de usar o Cowork porque têm medo do custo.
O resultado será previsível: baixa adoção precisamente daquela que pode ser uma das melhores capacidades do Copilot.
O comando /cost permite perguntar ao próprio Cowork quanto custou uma tarefa. É útil, mas também ilustra o problema. Primeiro executamos, depois descobrimos o preço. Seria preferível conhecer uma estimativa antes de carregar no gatilho.
Assim, continuará a ser um nicho
Não considero necessariamente errado existir algum controlo sobre o consumo. Estas tarefas podem utilizar modelos avançados, consultar grandes volumes de informação e executar várias ações durante minutos. Mas o modelo só me parece aceitável se o custo baixar substancialmente e cada licença incluir um plafond generoso, pensado essencialmente para evitar abusos. Com uma capacidade mensal razoável incluída, routing automático e cobrança adicional apenas para utilizações realmente intensivas, a solução poderia funcionar.
No modelo atual, não vejo o Cowork a passar de um nicho utilizado por equipas técnicas, utilizadores avançados e processos onde o retorno seja muito evidente.
É uma pena. A Microsoft tem nas mãos uma tecnologia extraordinária, profundamente integrada no Microsoft 365 e capaz de transformar verdadeiramente a produtividade pessoal.
Mas decidiu lançar essa tecnologia com um modelo que obriga o utilizador a pensar em créditos, consumo, chamadas ao Graph e otimização de skills.
No fundo, criou um agente para nos libertar das tarefas repetitivas e ofereceu-nos uma nova tarefa repetitiva: controlar quanto custa usar o agente.
