Microsoft bate recordes com a Cloud e a IA a impulsionarem o crescimento

A Microsoft apresentou o Earnings Release FY26 Q4, o comunicado no qual divulga as receitas, os lucros e outros indicadores financeiros relativos ao quarto e último trimestre do seu ano fiscal de 2026. Os resultados mostram um crescimento de 18%, impulsionado sobretudo pela cloud e pela inteligência artificial.

No trimestre terminado a 30 de junho de 2026, a Microsoft registou receitas de 90 mil milhões de dólares, mais 18% do que no mesmo período do ano anterior. O resultado operacional atingiu os 40,6 mil milhões de dólares, também com um crescimento de 18%, enquanto o resultado líquido aumentou 31%, para 35,8 mil milhões.

A cloud voltou a ser o principal motor deste crescimento. As receitas anuais da Microsoft Cloud atingiram os 214 mil milhões de dólares, enquanto o Azure ultrapassou, pela primeira vez, a fasquia dos 100 mil milhões de dólares. No quarto trimestre, as receitas do Azure e de outros serviços cloud cresceram 43%. Os resultados divulgados pela Microsoft mostram ainda que o Microsoft 365 Copilot já ultrapassou os 30 milhões de licenças pagas.

Este desempenho contrasta com a evolução de outras áreas do negócio. As receitas da divisão More Personal Computing diminuíram 4%, com quedas de 7% no Windows OEM e dispositivos e de 10% nos conteúdos e serviços Xbox.

Mais resultados com menos recursos

Para sustentar o crescimento da IA, a Microsoft está a concentrar-se na relação entre o custo de utilização dos modelos e os resultados que estes conseguem gerar. A ideia passa por deixar de utilizar os modelos mais avançados e dispendiosos em todas as tarefas, recorrendo a modelos mais pequenos e especializados sempre que possível.

Segundo Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, a empresa lançou mais de uma dezena de novos modelos no último trimestre, direcionados para áreas como programação, imagem, voz, transcrição e cibersegurança. Em alguns casos, estes modelos permitem reduzir entre 50% e 90% os custos de processamento gráfico, mantendo ou melhorando a qualidade dos resultados.

A Microsoft está também a desenvolver uma arquitetura na qual o contexto, a memória e as ações dos sistemas de IA não ficam dependentes de uma única família de modelos. Desta forma, os modelos podem ser substituídos consoante a tarefa, o custo ou a disponibilidade, reforçando a continuidade do negócio e reduzindo a dependência de um único fornecedor.

Copilot caminha para uma aplicação unificada

Satya Nadella revelou ainda que a Microsoft pretende reunir, durante o atual trimestre, as diferentes experiências Copilot numa única “super app”, destinada tanto a utilizadores particulares como empresariais. A aplicação deverá integrar experiências que vão desde o chat ao Copilot Cowork e aos novos agentes autónomos.

De acordo com o CEO da Microsoft, os níveis de satisfação dos utilizadores do Copilot duplicaram nos últimos três trimestres e a latência foi reduzida em 25%. O número médio de conversas por utilizador quase duplicou num ano, enquanto a utilização semanal já se aproxima da registada em ferramentas como o Outlook e o Teams.

O que nós dizemos: Os resultados mostram que a inteligência artificial está a deixar de ser apenas uma área de investimento para assumir um papel cada vez mais central nas receitas e nos produtos da Microsoft. O desafio passa agora por transformar essa adoção em resultados empresariais concretos, com modelos mais eficientes, menores custos operacionais e maior liberdade de escolha.