O novo Copilot entusiasma-me. Conseguiremos dá-lo a toda a empresa?
Experimentei o OpenClaw logo no início. A ideia de ter um agente capaz de executar trabalho por mim fascinou-me, mas a experiência pareceu-me demasiado virada para quem gosta de configurar ferramentas, resolver problemas e, de preferência, sabe programar. Interessante para experimentar. Difícil de imaginar nas mãos de toda uma empresa. O Autopilot é a primeira vez que vejo essa ideia com hipóteses reais de chegar a uma organização inteira.
A Microsoft pegou na ideia de um agente que não espera por um pedido a cada passo e colocou-a no contexto do Microsoft 365. Segundo o que anunciou, poderá acompanhar conversas, tratar de trabalho recorrente e retomar um assunto dias depois. Terá identidade, memória e um espaço de trabalho próprios, dentro dos limites definidos pelo utilizador e pela organização. Ainda está em pré-visualização privada, pelo que, para já, falo de uma promessa que quero testar, não de uma experiência que já conheça.
Sei exatamente o que gostava de lhe entregar. Queria um assistente que organizasse as minhas prioridades e me adiantasse trabalho. Na preparação de uma proposta, por exemplo: que falasse com o cliente para pedir os elementos em falta, preparasse uma primeira versão com base no histórico de propostas semelhantes e viesse ter comigo apenas para esclarecer as dúvidas que não conseguisse resolver sozinho.
Queria também que me tirasse de cima as tarefas básicas, por completo. Algumas já faço com muito apoio da IA, mas ainda sem autonomia real: as notas de despesa, o seguimento de assuntos que ficaram sem resposta no Teams ou no Outlook e, no sentido inverso, as respostas que sou eu a dever a alguém. É aqui que está a diferença que me interessa. Não quero pedir. Quero que o Autopilot tome a iniciativa por mim.
O Code desperta-me uma curiosidade semelhante. Descrever uma pequena aplicação ou um painel em linguagem natural e vê-lo ganhar forma pode mudar a maneira como resolvemos problemas do dia a dia. Mais interessante ainda é a possibilidade de executar essas ferramentas num ambiente gerido pela organização. Quem trabalha em IT conhece bem a pergunta que costuma surgir depois de alguém criar uma aplicação útil: quem a mantém e quem controla os dados a que acede?
É provavelmente a evolução do Copilot que mais vontade tenho de experimentar. Também é aquela cuja adoção mais me preocupa.
Um agente pessoal não pode exigir um gestor de créditos
Já escrevi sobre o custo do Cowork. Testei tarefas reais e consegui reduzir o consumo depois de analisar e otimizar a forma como o agente trabalhava. Mas não podemos esperar que cada colaborador faça esse exercício antes de delegar uma tarefa.
Com o Autopilot, a questão torna-se ainda mais importante. Se o objetivo é ter um agente que acompanha trabalho de forma contínua, o utilizador não deveria ter de decidir a cada momento se a tarefa justificava uma execução paga ou se bastava uma resposta do Chat.
A Microsoft distingue o trabalho quotidiano, incluído na licença por utilizador, das capacidades como Cowork, Code e Autopilot, sujeitas a faturação por utilização. Está também a criar limites, alertas e ferramentas de gestão de custos. São controlos necessários, mas não chegam. Um limite responde à pergunta «quanto podemos gastar?». Não responde à pergunta «era preciso gastar para fazer isto?».
Gostava que o próprio Copilot ajudasse a tomar essa decisão. Se o Chat resolver o pedido, que use o Chat. Se for necessário delegar trabalho a um agente, que o explique e dê uma noção do custo antes de avançar. A Microsoft anunciou que, no futuro, o Copilot poderá encaminhar pedidos entre Chat, Cowork e Code. Falta perceber se esse encaminhamento também ajudará a evitar consumo desnecessário.
E se as pessoas escolherem o ChatGPT ou o Claude?
Quando falamos com uma empresa sobre IA, muitas pessoas já têm uma ferramenta em mente: ChatGPT ou Claude. São as que conhecem, as que veem outras pessoas usar e, muitas vezes, aquelas com que já conseguiram fazer algum trabalho.
Do lado de IT, recomendamos o Copilot. E temos bons argumentos: o contexto do Microsoft 365, o Work IQ, a escolha entre modelos e a possibilidade de criar agentes e aplicações dentro de um ambiente gerido pela organização. Com o Code e o Autopilot, essa proposta torna-se ainda mais interessante.
Mas quem precisa de resolver um problema hoje não começa por comparar modelos de governação. Abre a ferramenta que conhece e pede-lhe para fazer o trabalho.
Numa pequena empresa, pode ser difícil justificar uma solução que parece exigir uma licença e consumo adicional para algumas das capacidades mais interessantes. Numa grande empresa, a dificuldade é autorizar o acesso generalizado a agentes autónomos cujo custo depende do trabalho que lhes for entregue. Começar por poucos utilizadores, com limites e acompanhamento, é prudente. Mas deixa os restantes à espera.
E esperar não significa necessariamente deixar de usar IA. Pode significar continuar a usar ChatGPT, Claude e outras aplicações fora da gestão da empresa. De nada serve ser a opção certa se for a mais difícil de usar.
Mesmo depois de conseguir essa primeira adoção, haverá uma segunda prova. Se as pessoas experimentarem Cowork, Code ou Autopilot e encontrarem custos que não antecipavam, ou limites que interrompem o trabalho, convencê-las a continuar será ainda mais difícil.
Entusiasmado, mas expectante
A Microsoft pode estar a construir uma das plataformas mais interessantes para pôr agentes e aplicações de IA a trabalhar dentro das empresas. Mas uma tecnologia excelente não se adota sozinha. Tem de ser simples de usar e previsível no custo.
Caso contrário, arriscamo-nos a ficar com um Copilot bem governado para alguns e uma coleção crescente de ferramentas externas escolhidas por quem só queria ver o trabalho feito.
