Microsoft dá identidade própria aos agentes de IA

A Microsoft deu mais um passo na evolução dos agentes de inteligência artificial. As novas funcionalidades anunciadas para o Copilot Studio permitem criar agentes persistentes que pertencem à organização, têm credenciais e permissões próprias e conseguem manter contexto entre diferentes ciclos de um processo.

Até agora, habituámo-nos sobretudo a utilizar a IA de forma pontual: fazemos uma pergunta, pedimos uma análise ou delegamos uma tarefa. A Microsoft quer levar os agentes para outro nível, tornando-os participantes permanentes nos processos das empresas.

Um agente que trabalha todas as semanas

O exemplo apresentado pela Microsoft ajuda a perceber a diferença.

Imagine-se um agente criado pela equipa financeira para ajudar na gestão do orçamento. Todas as terças-feiras, antes da reunião semanal, o agente utiliza as credenciais que lhe foram atribuídas para recolher os dados de planeamento, comparar previsões com as justificações apresentadas e identificar alterações que continuam por explicar.

Quando falta informação, pode pedir esclarecimentos aos responsáveis.

E a interação acontece nas ferramentas onde as pessoas já trabalham. A equipa pode mencionar o agente no Teams ou responder-lhe no Outlook para acrescentar contexto, esclarecer uma questão ou atribuir uma tarefa.

No final, o agente reúne os números mais recentes, as explicações recebidas e as questões ainda em aberto. A decisão continua com a equipa financeira, que determina se deve rever a previsão, pedir mais informação ou aprovar o plano.

Na semana seguinte, não começa do zero

É provavelmente aqui que está a maior diferença.

Através daquilo a que a Microsoft chama business process memory, estes agentes podem transportar contexto relevante entre os vários ciclos de um processo.

No exemplo do orçamento, significa recordar requisitos da revisão, questões ainda sem resposta e informação relevante das semanas anteriores. Em vez de reconstruir o histórico em cada reunião, o processo continua de onde ficou.

A isto junta-se outra mudança importante: a identidade.

Os agent accounts permitem que os agentes trabalhem no Microsoft 365 utilizando as suas próprias credenciais e permissões, em vez de dependerem das credenciais de uma pessoa. As ações podem assim ser atribuídas ao próprio agente, tornando mais claro o que foi feito por uma pessoa e o que foi executado por IA.

O que nós dizemos

A grande novidade não é termos agentes que respondem melhor. É começarmos a ter agentes que fazem efetivamente parte dos processos das empresas.

O exemplo da gestão de orçamento é particularmente interessante porque não coloca a IA a substituir quem decide. Retira-lhe trabalho repetitivo: recolher informação, procurar justificações, identificar o que falta e recordar o que ficou pendente. A decisão continua nas pessoas.